quarta-feira, 9 de novembro de 2016

265ª Nota - Louis Veuillot e a ausência aparente da visibilidade da Igreja


Para aqueles que afirmam que a hierarquia herética e conciliar é a hierarquia católica, para assim defender a visibilidade da Igreja, observem o que disse Louis Veuillot, o grande católico do século XIX, em seu excelente livro “A Ilusão Liberal”, no capítulo XXIII – “Terceira Objeção: A Terceira Saída”:
“A luta deu origem a três partidos:
1º - O Partido da Revelação ou Cristianismo. O partido católico é a sua cabeça, tão altiva e elevada que PARECE QUE NÃO TEM CORPO; todavia, esse corpo, NA MAIORIA DAS VEZES QUASE INVISÍVEL, EXISTE e de fato é o mais poderoso que há sobre a Terra, pois, INDEPENDENTE DO NÚMERO DE ADEPTOS, é o único que possui verdadeiramente essa força incomparável e sobre-humana chamada fé; (...).”
Portanto, não precisamos nos apoiar no sofisma daqueles que afirmam que a visibilidade da Igreja deve estar patente aos olhos de muitos ou de quase todos.

Sobre o mesmo tema: https://diario-de-um-catolico.blogspot.com.br/2016/10/261-nota-onde-esta-igreja-visivel.html 

terça-feira, 8 de novembro de 2016

264ª Nota - Louis Veuillot seria sedevacantista hoje?



Sabemos que os tradicionalistas, entre estes a FSSPX, são antissedevacantistas, porém paradoxalmente afirmam que João XXIII e seus sucessores até Bento XVI foram liberais, como outrossim Francisco Bergoglio, a mais gritante expressão do liberalismo contemporâneo.

Ora, o liberalismo é heresia condenada pela Santa Madre Igreja Católica, Apostólica, Romana e Perseguida!

Como entender, então, que possa ser Papa alguém que aceita e professa a heresia liberal? Não há como entender isto, a não ser negando tudo o que foi ensinado e condenado pelo Magistério da Igreja até Pio XII.

E para provar essa contradição, citaremos o grande escritor católico do século XIX Louis Veuillot, que certamente assumiria a posição sedevacantista, se hoje estivesse vivo.

Em seu excelente livro “A Ilusão Liberal”, no capítulo XX – “O Pequeno Número”, o ilustre católico, elogiado por Pio IX, o grande Papa antiliberal, escreve: “Mas eu levanto uma hipótese. Vamos admitir que todos seguimos a corrente (do liberalismo). Eu digo todos, EXCETO O PAPA, POIS A HIPÓTESE NÃO PODE CHEGAR ATÉ AÍ”.

E a razão de ele afirmar que o Papa não pode admitir o liberalismo, está no ensinamento da Igreja: o Papa não pode ser herege nem promotor da heresia. 
Aliás, é exatamente o que São Francisco de Sales confirma:
o Pastor não pode conduzir ao erro seus filhos, portanto, os sucessores de São Pedro têm todos os seus mesmos privilégios, que não são anexos à pessoa, mas à dignidade e ao cargo público”. (Controvérsias, p. II, cap. VI, art. XIV)
“E JAMAIS faz um mandamento geral a toda Igreja em coisas necessárias senão pela assistência do Espírito Santo, pois se não falta nem às espécies de animais em coisas necessárias, porque Ele as estabeleceu, menos faltará ao Cristianismo no que é necessário para a vida espiritual. E como seria a Igreja una e santa; tal como as Escrituras e os Símbolos a descrevem? Por que se Ela tivesse um Pastor e o Pastor errasse, como seria santa? E se não lhe seguisse, como seria Una? E que desordem não se veria no Cristianismo, se alguns achassem e encontrassem uma lei má e os outros boa, e se as ovelhas em lugar de pastar e engordar nos pastos da Escritura e da santa Palavra se distraíssem em fiscalizar os juízos do superior?”  (Controvérsias, p. II, cap. VI, art. XV)
Concluindo: ou aceitamos o sedevacantismo ou admitiremos vãs fantasias teológicas de cunho liberal. 

terça-feira, 1 de novembro de 2016

263ª Nota - Considerações sobre o "Novus Ordo Missae"



Documento endereçado por Dom Antonio de Castro Mayer ao Papa Paulo VI sobre a Nova Missa, junto com a carta precedente.

O novo “Ordo Missae” consta de normas gerais do texto do Ordinário da Missa. Umas e outro propõem uma nova Missa que não atende, suficientemente, às definições do Concílio de Trento a respeito, e constitui, por isso mesmo, grave perigo para a integridade e pureza da Fé Católica. Examinamos aqui, apenas, alguns pontos, que, nos parece, evidenciam o que afirmamos.

1. Noção de Missa – No n.º 7 o Novo “Ordo” dá uma como que definição da Missa: “Coena dominica sive Missa est sacra synaxis seu congregatio populi Dei in unum convenientis, sacerdote praeside, ad memoriale Domini celebrandum. Quare de sanctae ecclesiae locali congregatione eminenter valet promissio Christi: “Ubi sunt duo vel tres congregati in nomine meo, ibi sum in medio eorum (Mat. 18)”. [A Ceia do Senhor ou Missa é a sagrada assembléia ou reunião do povo de Deus, sob a presidência do sacerdote, para celebrar o memorial do Senhor. Por isso, a respeito desta reunião da santa igreja local vale a promessa de Cristo: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estarei no meio deles” (Mat. 18)].

Nesta definição, a) Insiste-se na Missa como ceia. Aliás, esta conceituação de Missa, ocorre com freqüência, em todo o decurso das normas gerais (cfr. n.º 8, 48, 55 d, 56, etc.). Parece mesmo que a intenção do novo “Ordo Missae” é inculcar este aspecto da Missa. O que é feito com detrimento do outro, essencial, isto é, que a Missa é um sacrifício. De fato, b) na quase definição de Missa do nº 7, não se declara o caráter de sacrifício da Missa, como, c) não se salienta o caráter sacramental do sacerdote que o distingue dos fiéis. Além disso, d) nada diz do valor intrínseco da Missa independente da presença da assembléia. Antes, faz supor que não há Missa sem a “congregatio populi” [reunião do povo], pois é a “congregatio” que define a Missa. Enfim, e) o texto deixa uma confusão entre a Presença real e a presença espiritual, porquanto aplica à Missa o texto de S. Mateus, no qual se trata apenas da presença espiritual.

O equívoco entre a Presença real e a presença espiritual, notado no nº 7, é confirmado pelo que diz o nº 8, que divide a Missa em “mesa da palavra” e “mesa do Corpo do Senhor”, e igualmente oculta o caráter de sacrifício que é principal na Missa, pois que a ceia não passa de uma conseqüência, como se pode deduzir do cân. 3 da ses. XXII do Concílio de Trento.

Observamos que os dois textos do Vaticano II, alegados na nota, não justificam a noção de Missa proposta no texto. Observamos ainda que algumas expressões, mais ou menos incidentes, nas quais ocorrem afirmações como esta que no altar “sacrificium crucis sub signis sacramentalibus praesens efficitur” (n. 259) [Torna-se presente o sacrifício da cruz sob sinais sacramentais,] não são suficientes para dissipar um conceito equívoco, inculcado ao se descrever a Missa (n. 7) e em muitos outros lugares das normas gerais.

2. Finalidade da Missa – A Missa é sacrifício de louvor à SS. Trindade. Tal finalidade não aparece de modo explícito no Novo “Ordo”. Pelo contrário, o que, na Missa de S. Pio V, salientava esse fim do Sacrifício, foi supresso no Novo “Ordo”. Assim, as orações: “Suscipe, Sancta Trinitas…” do Ofertório, a final “Placeat, tibi, Sancta Trinitas…”; assim, igualmente o Prefácio da SS. Trindade deixou de ser o Prefácio do Domingo, Dia do Senhor.

Além de “Sacrificium laudis SS. Trinitatis”, a Missa é Sacrifício propiciatório. Sobre esse caráter, contra os erros dos protestantes, insiste muito o Tridentino (cap. I e cân 3). Tal finalidade não aparece explícita no Novo “Ordo”. Aqui e acolá ocorre uma ou outra expressão que se poderia entender como envolvendo esse conceito. Jamais ele aparece sem sombra de dúvida. E ele está ausente quando as normas declaram a finalidade da Missa (n. 54). De fato, não é suficiente para atender à Teologia da Missa estabelecida pelo Tridentino, afirmar que esta colima a “santificação”. Não é claro que este conceito envolva necessariamente o outro, de propiciação. Além disso, a intenção propiciatória bem indicada na Missa de São Pio V, desaparece na nova Missa. De fato, as orações do Ofertório, “Suscipe Sancte Pater…”, “Offerimus, Tibi…” e a da benção da água: “Deus qui humanae substantiae… reformasti…” foram substituídas por outras que nada dizem de propiciação. Inculcam mais o sentido de banquete espiritual “panis vitae” [pão da vida], “potus spiritualis” [bebida espiritual].

3. Essência do Sacrifício – A essência do Sacrifício da Missa está na repetição do que fez Jesus na última ceia; não na mera narração, ainda que acompanhada de gestos. Assim, advertem os moralistas que não basta relatar historicamente o que Jesus fez. É necessário pronunciar as palavras da consagração com intenção de repetir o que Jesus realizou, porquanto o sacerdote, ao celebrar, representa Jesus Cristo, opera “in persona Christi”. No novo “Ordo” não se toma em consideração semelhante precisão, no entanto, essencial. Pelo contrário, ao passo que sublinha a parte narrativa, nada diz da parte propriamente sacrifical. Assim, ao expor a Prece eucarística fala de “narratio institutionis” (n. 54 d) [narração da instituição]; de maneira que as expressões “Ecclesia memoriam ipsius Christi agit” [A Igreja faz a memória do próprio Cristo] e a outra do final da consagração: “Hoc facite in meam commemorationem” [fazei isto em minha memória] têm o sentido indicado pela explanação dada anteriormente nas normas gerais (n. 54 d). Observamos que a frase final da consagração, “Haec quotiescumque feceritis, in mei memoriam facietis” [todas as vezes que fizerdes isto, fazei-o em minha memória] era muito mais expressiva para dizer que, na Missa, repetia-se a ação de Jesus Cristo. – Acresce que a introdução, entre as palavras essenciais da consagração, das expressões: “Accipite et manducate ex hoc omnes” [Tomai e comei dele todos], e “Accipite et bibite ex eo omnes” [Tomai e bebei dele todos] levam a parte narrativa dentro do mesmo ato sacrifical. De maneira que, na Missa de S. Pio V, o texto e os gestos orientavam, naturalmente, o sacerdote para a ação sacrifical propiciatória, quase impunham a intenção ao sacerdote que celebrava. E assim, a “lex supplicandi” [lei da oração] se conformava perfeitamente à “lex credendi” [lei da fé]. Não se pode dizer o mesmo do novo “Ordo Missae”. No entanto, dada a gravidade da ação, e mais os tempos modernos excessivamente trepidantes, e dadas ainda as condições psicológicas das novas gerações, o “Ordo Missae” deveria facilitar o celebrante a ter presente a intenção necessária para realizar válida e condignamente o ato do Santo Sacrifício.

4. Presença Real – O Sacrifício da Missa está intimamente ligado à presença real de Jesus Cristo na SS. Eucaristia. Essa é conseqüência daquela. Na transubstanciação opera-se a mudança da substância do pão e do vinho no Corpo e Sangue do Salvador, e realiza-se o sacrifício. Como conseqüência, permanece no altar a vítima perene. A Hóstia do Sacrifício, que permanece, passado o ato sacrifical. O Novo “Ordo”, desde a definição da Missa (n. 7) deixa pairar uma ambigüidade sobre a presença real, mais ou menos confundida com a presença meramente espiritual, na oração de dois ou três congregados no nome de Jesus. Depois, a supressão de quase todas as genuflexões – maneira tradicional de adorar entre os latinos – a ação de graças sentado, a possibilidade de celebração sem a pedra d’ara, em simples mesa, a equiparação do manjar eucarístico com o manjar espiritual, tudo é de molde a obscurecer a fé na Presença real. – A última consideração sobre a equiparação entre o manjar eucarístico e o manjar espiritual, deixa no ar a idéia de que a Presença de Jesus na SS. Eucaristia está no uso, como acontece com a palavra de Deus. E daí a resvalar para o erro dos luteranos não é tão difícil, especialmente numa sociedade pouco dada à reflexão de ordem transcendente. Igual conclusão é favorecida pela função do altar: é ele apenas a mesa, onde não há, normalmente, lugar para o Sacrário, onde habitualmente se conserva a Vítima do Sacrifício. Também a disciplina no sentido de levar os fiéis a comungarem da mesma hóstia que o celebrante, de si, cria a idéia de que, acabado o sacrifício, não há mais lugar para a sagrada reserva. Assim, toda a disposição do Novo “Ordo Missae” não só não afervora a fé na presença real, senão que a diminui.

5. Sacerdócio hierárquico – Define o Tridentino que Jesus instituiu os apóstolos sacerdotes para que eles e outros sacerdotes, seus sucessores, oferecessem seu Corpo e Sangue (cân, 2, ses. 22). De maneira que a realização do Sacrifício da Missa é ato que exige a consagração sacerdotal. Por outro lado, o mesmo Concílio de Trento condena a tese protestante que faz de todos os cristãos sacerdotes do Novo Testamento. Vê-se, pois que, segundo a fé, só o sacerdote hierárquico é capaz de realizar o Sacrifício da Nova Lei. Esta verdade é diluída no Novo “Ordo Missae”. Neste “Ordo” a Missa é mais do povo do que do sacerdote. É também do sacerdote, porque este faz parte da multidão. Não aparece como o mediador “ex hominibus assumptus in iis quae sunt ad Deum” [tomado dentre os homens para aquelas coisas que se referem a Deus], inferior a Jesus Cristo e superior aos fiéis, como diz S. Roberto Belarmino. Ele não é o juiz que absolve. É simplesmente o irmão que preside.

Outras observações poderíamos fazer que confirmariam o que acima dizemos. Julgamos, no entanto, que as questões apontadas bastam para mostrar que o novo “Ordo Missae” não se ajusta à Teologia da Missa, estabelecida de modo definitivo pelo Concílio de Trento, e por isso, constitui um grave perigo para a pureza da Fé.

Dom Antonio de Castro Mayer, Bispo de Campos (Brasil), publicado em ONTEM HOJE SEMPRE, Campos, Janeiro-Março de 2000.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

262ª Nota - Aquecimento global: uma fraude?


Aquecimento global é a “maior e mais bem sucedida fraude pseudocientífica que eu já vi em minha longa vida de físico” (Prof. Harold Lewis, professor emérito de física da Universidade da Califórnia em Santa Barbara, renunciou à Sociedade Americana de Física).

O número de títulos do catedrático é enorme. Seguem: Harold Lewis is Emeritus Professor of Physics, University of California, Santa Barbara, former Chairman; Former member Defense Science Board, chairman of Technology panel; Chairman DSB study on Nuclear Winter; Former member Advisory Committee on Reactor Safeguards; Former member, President's Nuclear Safety Oversight Committee; Chairman APS study on Nuclear Reactor Safety Chairman Risk Assessment Review Group; Co-founder and former Chairman of JASON; Former member USAF Scientific Advisory Board; Served in US Navy in WW II; books: Technological Risk (about, surprise, technological risk) and Why Flip a Coin (about decision making)

Eis o texto da carta feita pública pelo próprio professor Harold Lewis.

De: Harold Lewis, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara.
Para: Curtis G. Callan Jr., da Universidade Princeton, presidente da Sociedade Americana de Física.

“6 de outubro de 2010

Caro Curt:

Quando eu ingressei na American Physical Society há sessenta e sete anos, ela era muito menor, muito mais delicada, e ainda não corrompida pela inundação de dinheiro (uma ameaça contra a qual Dwight Eisenhower advertiu há meio século).

Na verdade, a escolha da física como profissão era, então, uma garantia de uma vida de pobreza e de abstinência. Foi a Segunda Guerra Mundial que mudou tudo isso. A perspectiva de ganho mundano levou alguns físicos.

Tão recentemente quanto 35 anos atrás, quando eu presidi o primeiro estudo APS de uma controversa questão social/científica, o The Reactor Safety Study, embora houvesse fanáticos em grande quantidade no exterior não havia indício algum de pressão descabida sobre nós como físicos. Éramos, portanto, capazes de produzir o que eu acredito que foi e é uma avaliação honesta da situação naquele momento.

Estávamos ainda reforçados pela presença de uma comissão de fiscalização composta por Pief Panofsky, Vicki Weisskopf e Hans Bethe, todos eles físicos proeminentes e irrepreensíveis. Fiquei orgulhoso do que fizemos em uma atmosfera carregada. No final, a comissão de fiscalização, no seu relatório ao Presidente APS, observou a total independência em que fizemos o trabalho, e previu que o relatório seria atacado pelos dois lados. Que melhor homenagem poderia haver?

Quão diferente é agora. Os gigantes já não caminham sobre a terra, e a inundação de dinheiro tornou-se a razão de ser de muita pesquisa em física, o sustento vital para muito mais, e fornece o suporte para um número incontável de empregos profissionais.

Por razões que logo ficarão mais claras o meu orgulho em ser um ex-companheiro APS todos esses anos foi virando vergonha, e eu sou forçado, absolutamente sem prazer, a oferecer-lhe minha renúncia da Sociedade.

É claro, o embuste do aquecimento global, com os (literalmente) trilhões de dólares que corromperam muitos cientistas, e levou a APS como uma onda gigantesca.

É a maior e mais bem sucedida fraude pseudocientífica que eu já vi em minha longa vida de físico. Qualquer um que tenha a menor dúvida de que isto é assim deve se esforçar para ler os documentos do Climategate, que a colocam a nu. Eu não acredito que qualquer físico verdadeiro, mesmo o não cientista, pode ler esse material sem repulsa. Eu quase gostaria de fazer dessa repulsa uma definição da palavra cientista.

Então, o que tem feito a APS, enquanto organização, em face desse desafio? Ela aceitou a corrupção como a norma, e se deixou levar por ela. Por exemplo:

1. Há um ano, alguns de nós enviamos um e-mail sobre o assunto para uma fração da sociedade. A APS ignorou os problemas, mas o então presidente iniciou imediatamente uma investigação hostil para saber onde nós obtemos os endereços de e-mail. Em seus melhores dias, APS acostumava incentivar a discussão das questões importantes, e de fato a Constituição fixa isso como seu objetivo principal. Não mais. Tudo o que foi feito no ano passado foi projetado para silenciar o debate.

2. A espantosamente tendenciosa declaração da APS sobre a Mudança do Clima aparentemente foi escrita às pressas por algumas pessoas durante o almoço, e certamente não é representativa dos talentos dos membros da APS como eu os conheço há muito tempo.

Então, alguns de nós pedimos ao Conselho que a reconsidere. Uma das notas de (in)distinção na Declaração foi a envenenada palavra "incontrovertível", que se aplica a poucos pontos na Física, e certamente não à questão climática. Como resposta a APS nomeou um comitê secreto que nunca conheci, que nunca se incomodou em falar com algum "cético", mas, no entanto, aprovou a Declaração na íntegra. Eles admitiram que o tom havia sido um pouco forte, mas, engraçado, eles conservaram a palavra envenenada "incontrovertível" para descrever os fatos, posição que ninguém sustenta. No final, o Conselho manteve a declaração original, palavra por palavra, e aprovou um texto muito mais "explicativo", admitindo que havia incertezas, mas as pondo de lado para dar a aprovação genérica ao original.

A Declaração original, que ainda permanece como a posição APS, também contém o que eu considero um conselho pomposo e asinino a todos os governos do mundo, como se a APS fosse mestre do universo. Não o é, e estou envergonhado que nossos líderes pareça pensar que o é. Isso não é diversão nem jogos, essas são questões sérias que envolvem largos setores de nossa essência nacional, e a reputação da Sociedade enquanto sociedade científica está em jogo.

3. Nesse ínterim, o escândalo do Climategate irrompeu no noticiário, e as maquinações dos principais alarmistas foram reveladas ao mundo. Foi uma fraude em uma escala que nunca vi, e eu não tenho palavras para descrever sua enormidade. Qual foi o efeito sobre a posição APS? Nenhum. Nada mesmo. Isso não é ciência; há outras forças que estão agindo.

4. Então, alguns de nós tentamos atrair a comunidade científica para o fato (que é, afinal, a finalidade histórica pretendida pela APS) e coletamos as 200 assinaturas necessárias para apresentar ao Conselho uma proposta de um grupo de tópicos sobre Ciência Climática, achando que a discussão aberta das questões científicas está na melhor tradição da física, que seria benéfica para todos nós, e também seria uma contribuição para a nação. Eu poderia observar que não foi fácil coletar as assinaturas, uma vez que nos negaram o uso da lista de membros APS. Em qualquer caso nós agimos em conformidade com as exigências da Constituição da APS, e descrevemos com muitos detalhes o que tínhamos em mente, simplesmente para trazer o assunto à tona.

5. Para nosso espanto, a Constituição que se dane, o Sr. se recusou a aceitar nosso pedido, e fez uso de seu próprio poder sobre a lista de discussão para realizar uma pesquisa sobre se os membros tinham interesse numa TG sobre o Clima e o Ambiente. Você perguntou aos membros se eles assinariam uma petição para formar um TG sobre um tema ainda a ser definido e não forneceu formulário para petição alguma, assim você recebeu um monte de respostas afirmativas. (Se você tivesse perguntado sobre sexo teria obtido mais expressões de interesse.) Não saiu, naturalmente, nenhum pedido ou proposta, e você agora lançou um parte do Ambiente, de maneira que toda a questão ficou discutível. (Qualquer advogado teria lhe explicado que você não pode coletar assinaturas para uma petição vaga e, em seguida preencher com o que você quiser.) O objetivo de toda essa manobra foi evitar sua responsabilidade constitucional de encaminhar nossa petição ao Conselho.

6. A partir de então você montou um outro comitê segredo para organizar a sua própria TG, simplesmente ignorando a nossa petição legal.

A direção da APS driblou o problema desde o início, para suprimir a conversa séria sobre o mérito das reivindicações sobre alterações climáticas. Você se espanta que eu tenha perdido a confiança na organização?

Eu sinto a necessidade de acrescentar uma nota, e isso é conjectura, pois é sempre arriscado discutir os motivos das outras pessoas. Esta intriga no quartel geral da APS é tão bizarra que não pode haver uma explicação simples para ela. Alguns defendem que os físicos de hoje não são tão espertos como costumavam ser, mas eu não acho que isso seja um problema.

Eu acho que é o dinheiro, sobre o qual exatamente Eisenhower alertou meio século atrás. De fato, há trilhões de dólares envolvidos, para não falar da fama e da glória (viagens frequentes para ilhas exóticas) para quem é membro do clube. Seu próprio Departamento de Física (do qual é presidente) iria perder milhões por ano se estourasse a bolha de sabão do aquecimento global.

Quando a Universidade Estadual da Pennsylvania absolveu Mike Mann de delito, e a Universidade de East Anglia fez o mesmo com Phil Jones, elas não podiam ter desconhecidas as sanções pecuniárias que sofreriam se fizessem o contrário. Como diz o velho ditado, você não precisa ser um meteorologista para saber para que lado o vento está soprando.

Posto que eu não sou filósofo, eu não vou explorar até que ponto o auto-interesse esclarecido cruza a fronteira da corrupção, porém uma leitura atenta dos noticiário do Climategate deixa claro que esta não é uma questão acadêmica.

Eu não quero parte nenhuma nela, por isso, peço-lhe aceitar a minha demissão. A APS já não me representa, mas espero que ainda nós sejamos amigos.

Hal”


(Fonte: "The Telegraph", October 9th, 2010)

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

261ª Nota - Onde está a Igreja visível?


A frase de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre se encontrará a Fé na Terra, quando de sua Parusia, leva-nos a interessantes reflexões. É a Fé que estará quase absolutamente ausente, e consequentemente a caridade e a esperança, porque estas evidentemente decorrem daquela. A crise gravíssima com que hoje nos deparamos é a da Fé. E é pela Fé, extraindo da frase de Cristo, que reconhecemos e constatamos onde se encontra a Igreja visível. Os frutos visíveis reconhecidos da Igreja são aqueles decorrentes da verdadeira Fé. Repito: é pela Fé que reconhecemos a verdadeira Igreja visível, cuja aparência atualmente está ausente ou irreconhecível, como Cristo chagado e crucificado. Observem bem: a Igreja está chagada e crucificada, irreconhecível e aparentemente ausente, mas JAMAIS, NUNCA herética e heretizante, ou instrumentalizada pelos hereges, porque isto contraria totalmente a indefectibilidade da Igreja. As portas do Inferno jamais prevalecerão contra Ela, e admitir que os hereges são a hierarquia da Igreja de Cristo, é admitir que as portas do Inferno prevaleceram contra Ela. Pois se são eles que a governam, logo, são eles que prevaleceram. Aliás, a visibilidade da Igreja não está na absoluta constatação visual ou aparente de todos os fieis ou de muitos ou mesmo de poucos; a visibilidade da Igreja se fundamenta na promessa de Cristo. Portanto, a visibilidade da Igreja não está restrita à constatação feita por mim nem por ninguém, mas fundamentada na Sua promessa de que estará conosco até a consumação dos séculos. Se exigíssemos a visibilidade como Santo Tomé, teríamos que responder onde se encontrava a visibilidade exterior e universal da Igreja quando em Pentecostes? A Igreja deixaria de ser visível pelo fato de ninguém a tê-la visto no norte nem no sul, no leste nem no oeste? Como ficaria a visibilidade da Igreja no oriente chinês e japonês quando da ausência mais que secular da hierarquia eclesiástica?
Hoje não vemos a hierarquia visível da santa Igreja, mas sabemos – pelas promessas – que Ela existe e estará presente até a consumação dos séculos. Vemo-la como a viam Moisés e os Profetas o Messias esperado, ou seja, na Fé, mesmo que humanamente tudo conclame para que pensemos o oposto. Por isso, a importância de cada um de nós estudar a Fé, a verdadeira Fé, e transmiti-la. A Fé da Sagrada Escritura, da Tradição e do Magistério da Igreja até Pio XII. É esta – acredito – a mais importante incumbência do católico de hoje: ter a Fé na noite escura!

“A Igreja, sociedade sem dúvida sempre visível, será cada vez mais reduzida a proporções simplesmente individuais e domésticas.” (Cardeal Pio, em “Le chrétien au combat pour le règne de Dieu”, 1859)