terça-feira, 25 de julho de 2017

312ª Nota - Resposta aos amigos antissedevacantistas


Amigos, vivam Cristo, Maria e José!

As perguntas e preocupações colocadas por um amigo me fizeram lembrar do tempo em que eu era antissedevacantista visceral. São as mesmas ou muito próximas das minhas passadas. Porém, quando se vai questionando e buscando a resposta, tudo vai concomitantemente ficando menos escuro, e vemos a luz. Posso afirmar que saí da M. sabendo superficialmente o que é Magistério da Igreja, Papado, heresia etc; e isto ficou patente quando comecei a estudar a questão sedevacantista (não que hoje eu saiba profundamente estes conceitos, mas se tornaram mais acessíveis e claros). E, no começo, via o sedevacantismo com muito preconceito, era algo herdado. Não passava de elucubrações de deslumbrados, pensava! Entretanto, com o expurgar prejulgamentos e preconceitos, coloca-se o sedevacantismo no seu devido lugar: constatação teológica ou conclusão teológica, e NÃO como manual prático de vida, como pensam muitos, e compreendi que eu estava errado. O pronunciamento da Igreja não pode conter erro/s contra a fé e a moral nem pode ser ambíguo ou duvidoso. A Igreja é Santa e Indefectível, portanto, JAMAIS PODE NOS DAR O ERRO NEM SEQUER NOS CONDUZIR A ELE. Tudo se encaixou – com a explicação sedevacantista – para que eu pudesse entender a situação em que estamos hoje: crise religiosa absurda e única em sua dimensão, que tem como causa suprema a ausência do Soberano Pontífice: “ferido o Pastor, as ovelhas se dispersarão”, disse Nosso Senhor Jesus Cristo.

Pois bem. Primeiramente, temos que entender e aceitar que o sedevacantismo NÃO É MANUAL PRÁTICO PARA AGIR EM TEMPOS DE CRISE, ou casuística moral, ou qualquer outra afirmação que não seja esta: conclusão teológica ou constatação teológica. Infelizmente, muitos querem fazer (ou exigir) do sedevacantismo um manual prático para agir diante de tamanha crise religiosa. NÃO É ISTO, POR FAVOR! O sedevacantismo é apenas e tão somente uma conclusão certa e demonstrável extraída da Revelação, Tradição e do Magistério Imaculado da Igreja, pela qual se conclui que os que professam e/ou promovem publicamente o erro ou a heresia não podem ser membros da Igreja, e se não são membros, que autoridade têm eles sobre os fieis?

Enfim, para evitar aquelas perguntas “insolúveis” que muitos antissedevacantistas exigem dos sedevacantistas, basta saber que, em tempos como os nossos, devemo-nos lembrar destas citações:

Dom Guéranger: “[...] Que Décio, por sua violência, produza a vacância da Sede no assédio a Roma por quatro anos, que surja um cisma com antipapas gozando de certo apoio popular, ou pela política dos príncipes, se questiona durante um tempo a legitimidade de alguns papas, O ESPÍRITO SANTO PERMITIRÁ A PROVA, E ASSIM A FÉ DOS FIEIS SE FORTALECERÁ ENQUANTO DURE, E, POR ÚLTIMO, NO TEMPO ASSINALADO, VIRÁ O ELEITO, E A IGREJA O RECEBERÁ COM ACLAMAÇÃO” (Ano Litúrgico, ed., 1867, Quarta-feira de Pentecostes). 

Eis aí a resposta dada pelo venerável dom Guéranger às perguntas “insolúveis” dos antissedevacantistas: MANTER A FÉ INTOCÁVEL, e, acrescentamos, OBSERVAR OS MANDAMENTOS.

Nesta atitude devemos permanecer quanto tempo Deus permitir, pois como disse o Papa Paulo IV: se um usurpador fosse eleito ilegitimamente, a sede estaria vacante “qualquer que fosse a duração desta situação” (Cum Ex Apostolatus, § 6).

Em boa hora, esta citação profética, que responde a alguns questionamentos dos antissedevacantistas quanto à visibilidade da Igreja: “A Igreja, sociedade sem dúvida sempre visível, será cada vez mais reduzida a proporções simplesmente individuais e domésticas.” (Cardeal Pio, em “Le chrétien au combat pour le règne de Dieu”, 1859) 

Enfim, quanto à afirmativa infeliz de muitos, qual seja, “os sedevacantistas se autoafirmam a Igreja visível ou o que permaneceu dela”, ponho abaixo a citação de alguém com muita autoridade para eles e que não aderiu explicitamente ao sedevacantismo, e pergunto aos que atacam os que adotam o sedevacantismo se a pessoa citada abaixo também fazia profissões temerárias e absurdas?

“Eu vos pergunto: onde estão os verdadeiros sinais da Igreja? ESTÃO ELES NA IGREJA OFICIAL (não se trata de Igreja visível, mas da Igreja oficial) ou CONOSCO, NO QUE REPRESENTAMOS, NO QUE SOMOS? É EVIDENTE QUE SOMOS NÓS QUE GUARDAMOS A UNIDADE DA FÉ, QUE DESAPARECEU DA IGREJA OFICIAL. Um Bispo acredita nisso, outro já não acredita, a fé é diversa, seus catecismos abomináveis estão cheios de heresias. Onde está a unidade da fé em Roma?

Onde está a unidade da fé no mundo? FOMOS NÓS QUE A GUARDAMOS. A unidade da fé espalhada no mundo inteiro é a catolicidade. ORA, ESTA UNIDADE DA FÉ NO MUNDO INTEIRO, NÃO EXISTE MAIS, NÃO EXISTE MAIS CATOLICIDADE. Existem tantas Igrejas católicas quantos Bispos e Dioceses. Cada um possui sua maneira de ver, de pensar, de pregar, de fazer seu catecismo. NÃO EXISTE MAIS CATOLICIDADE.


E A APOSTOLICIDADE? ELES ROMPERAM COM O PASSADO. Se eles fizeram algo, foi exatamente isso. Eles não desejam mais o que é anterior ao Concílio Vaticano II. Vede o Motu Proprio do Papa que nos condena, ele diz muito bem: “a Tradição viva é o Vaticano II”: não se deve reportar mais a fatos anteriores ao Vaticano II, isso não significa nada. A Igreja guarda a Tradição de século em século. O que passou passou, desapareceu. Toda a Tradição encontra-se na Igreja de hoje. Qual é esta Tradição? A que ela se liga? Como ela se liga ao passado?” (Dom Marcel Lefebvre)