sexta-feira, 18 de agosto de 2017

322ª Nota - Uma falsa noção de Igreja


O problema de fundo da Fraternidade e de seus membros é que trabalham a partir de uma falsa noção da Igreja. Eles miram a eleição de Wojtyla por um colégio de cardeais do Novus Ordo, e daí concluem que é um pontífice legítimo. [Nota do Blogue: E esta conclusão perdura até Francisco. Pasmem!]

E como a dificuldade de estar em comunhão com um herege não lhes sai da cabeça, dizem que João Paulo II [NB: e seus sucessores(!)] é a cabeça de duas igrejas (!!!): uma, a Igreja Conciliar; e a outra, a Igreja Católica. Às vezes, ele fala e atua como chefe da Igreja Conciliar; outras, como chefe da Igreja Católica.

Como saber o que vem de um ou do outro? Por Monsenhor Lefebvre, que recebeu de Deus a missão de pesar os atos e palavras destes “papas” modernistas, e de dizer o que se deve crer, o que se deve fazer e o que se deve pensar. Agora que Monsenhor faleceu, esta autoridade reside no Superior Geral.

Deste princípio se extrai a conclusão lógica de que a infalibilidade e indefectibilidade da Igreja Católica, o depósito da Fé, a salvação de todos os fiéis, estão nas mãos do Superior Geral. A Igreja Católica, a Fé Católica, a validez dos sacramentos, o que devemos crer para nos salvar, tudo foi confiado ao juízo do Superior Geral.

Poder-se-ia comparar este tipo de eclesiologia ou de teologia da Igreja aos “diferentes timbres” das linhas telefônicas. Para a chegada de um fax, você tem um timbre; para uma chamada telefônica, outro. Assim, por analogia, se Wojtyla diz algo católico, você receberá da Fraternidade um determinado soar de timbre; se diz algo modernista, você receberá outro soar de timbre.

Inútil dizer que tal sistema não somente é absurdo, senão que reduz a zero a infalibilidade da Igreja Católica. Num sistema deste gênero, o Papa não é mais a autoridade, mas sim o Superior Geral da Fraternidade São Pio X.

Seu sistema é defeituoso no sentido de que não compreendem que é a detenção da autoridade papal o que faz que o Papa seja Papa. Esta autoridade garantida pelo Espírito Santo em matéria de doutrina, moral, liturgia e disciplina geral, não pode prescrever para a Igreja falsas doutrinas ou leis más que o fiel tenha a necessidade de rechaçar, que deva necessariamente resistir. Porém, no geral, o movimento tradicionalista postula o rechaço sistemático da doutrina, moral, liturgia e disciplina geral do Novus Ordo, ao ponto de desenvolver um apostolado em oposição ao do “Papa” e dos bispos das dioceses. Atua assim porque sabe, a justo título, que a doutrina, moral, liturgia e disciplina geral do Novus Ordo estão condenadas pelo ensinamento anterior da Igreja Católica Romana. Porém, se é necessário resistir a sua doutrina, moral, liturgia e disciplina geral, é preciso concluir que estes “papas” não detêm verdadeiramente a autoridade papal, e que não são consequentemente verdadeiros Papas. E assim é, qualquer que seja o procedimento eleitoral que os designou para o cargo. A eleição não faz mais que designá-los para receber o poder, não lhes comunicando o poder por força dela. O poder deriva de Cristo; e é por esta mesma razão que nossa submissão ao Papa é uma submissão a Cristo.

Contudo, considerar que os “papas” do Novus Ordo são verdadeiros papas – o que pensa a Fraternidade – equivale a identificar a Igreja Católica com eles, pois onde está Pedro, está a Igreja. Ademais, identificar a Igreja Católica com eles, estabelece uma espécie de atração gravitacional exercida sobre os membros da Fraternidade por João Paulo II [NB: e seus sucessores.] e sua religião. De todo modo, por um caminho ou por outro, a Fraternidade deve reintegrar-se ao regaço de Wojtyla. Esta atração gravitacional para o Novus Ordo, considerado como a Igreja, é a responsável pelo liberalismo dos sacerdotes da Fraternidade e das numerosas defecções em favor do Novus Ordo ou da Fraternidade São Pedro.

Esta noção de duas Igrejas: uma católica e outra conciliar, não é conforme à realidade. A realidade é que Wojtyla foi eleito para ser um Papa católico, e que pretende ser o Papa católico. Não pretende outra coisa a não ser o Chefe da Igreja Católica. A realidade é que se trata de flanquear as estruturas da Igreja Católica por uma nova religião: o modernismo. Pelo fato mesmo de intentar substituir a Fé Católica por uma nova religião, é impossível que possua autoridade papal que pretende ter, ou parece ter, ou que tenha sido designado para ter. Por quê? Porque a natureza da autoridade é a de levar a comunidade para seus próprios fins. E sendo um dos fins essenciais da Igreja Católica, a mantença da Fé Católica, qualquer um que intente pôr obstáculo a este fim não pode ser considerado detentor da autoridade da Igreja Católica, que é a autoridade de CristoPor conseguinte, é impossível que os “papas” do Vaticano II sejam verdadeiros Papas, já que querem para as estruturas da Igreja um fim essencialmente desordenado.

A Fraternidade não mira mais que as estruturas externas da Igreja, enfatiza a continuidade que estas apresentam entre os períodos pré e pósconciliar, e disto conclui que o Novus Ordo é a Igreja Católica. O clero modernista está de fato na posse das estruturas católicas, porém isto não significa que represente a Igreja Católica.

É desta forma que a Fraternidade está presa à hierarquia modernista, em posse de nossos edifícios católicos. Esta atração fatal é devastadora, pois faz de seu combate a obtenção do reconhecimento por parte dos modernistas. Esta “legitimidade” que os modernistas podem conceder não tem nada de legitimidade, não é mais que uma aparência, e a custa da pureza da Fé Católica. A Fraternidade está deslumbrada, hipnotizada por esta vã esperança de “legitimidade”, algo como um cachorro perdido em uma autopista que, deslumbrado, se detém com as luzes de um automóvel que vai a sua direção, acontecendo assim um fim trágico.  Em face desta iníqua tentativa dos modernistas de pôr em marcha seu plano, que consiste em encher de abominações nossas igrejas católicas, é o mais solene dever dos católicos o denunciá-los como falsas autoridades, e, então, tomar uma posição católica que preserve a infalibilidade e indefectibilidade, uma posição que recuse identificar a Igreja Católica com uma falsa hierarquia investida de uma falsa autoridade.

(Excerto de “A Montanha de Gilboa – O caso da Fraternidade São Pio X”, por Dom Donald J. Sanborn, 1995)

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

321ª Nota - O futuro do Movimento Tradicionalista


Gostem ou não, o futuro do movimento tradicionalista está em grande parte unido ao da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, pelo menos nos seus atuais membros. Nestes tempos de crise da Igreja são eles que têm as vocações sacerdotais, e, como tais, são eles os valentes de Israel.

Como um míssil lançado fora da sua trajetória por uma má pontaria, estas vocações, sacerdotes e seminaristas, avançam com toda rapidez na direção de uma reconciliação com os inimigos da Igreja. Nada agradaria mais aos modernistas e ao demônio. Quase toda a energia, toda a força da fé católica concentradas em um exército que não luta.

Assim, é inevitável que muitos membros da Fraternidade terminem se rendendo ao Novus Ordo de uma forma ou outra. É provável que a Fraternidade conclua um acordo com o Novus Ordo, que obtenha o “reconhecimento” nos termos considerados por ela como mais aceitáveis que os do acordo com a Fraternidade São Pedro, e que se veja assim absorvida pela religião modernista. Em minha opinião, tal acordo provocaria a defecção de 20% de seus atuais aderentes, que sairiam e se reagrupariam, porém somente para recomeçar o mesmo processo [Nota do blogue: Bingo! Isso se realizou, e sem necessidade de acordo, na Fraternidade de Dom Williamson e seus seguidores, que por sua vez já está implodindo.]. Estes retomarão a tocha do lefebvrismo, de uma absurda teologia da Igreja, um pé em cada uma das duas religiões, católica e modernista, continuando o filtro de documentos e decretos do Vaticano. E inevitavelmente, este grupo de 20%, devido às tensões e contradições explodirá outra vez.

O verdadeiro futuro do movimento tradicionalista, que é também o futuro da resposta católica ao inimigo modernista, encontra-se na posição católica sobre a autoridade papal e da natureza da Igreja Católica. É por isso que considero da mais urgência e suprema necessidade que nós, sacerdotes e leigos, que não queremos compromissos com o inimigo, trabalhemos juntos no estabelecimento de seminários católicos. E não é menos importante que os jovens que saem de nossas “paróquias” renunciem aos múltiplos atrativos do mundo e se ofereçam à Igreja pelo santo sacerdócio. Se faltarmos com este dever – formar sacerdotes católicos adequada e corretamente preparados –, faltamos com Deus em não ter protegido o nosso bem mais precioso: nossa Fé Católica. E este tesouro sagrado que nos foi transmitido com um zeloso cuidado por nossos ancestrais, às vezes pelo preço de seu próprio sangue, será, por nossa negligência, lançado como migalhas aos cachorros modernistas.

Não podemos nos subtrair do dever de formar sacerdotes católicos que em nossa época pensam correta e justamente, saibam quem é o inimigo da Igreja, onde está e desejam combatê-lo com zeloso e sagrado ardor, ao invés de firmar um compromisso com ele. Se faltarmos com este dever, receberemos o que merecemos: essas capelas e escolas que nos preservaram com tanto esmero e esforços do modernismo serão tomadas pelas mãos de sacerdotes – ainda que validamente ordenados – que traíram a pureza da Fé Católica, fazendo-se reconhecer pelos hereges modernistas.

(Excerto de “A Montanha de Gilboa – O caso da Fraternidade São Pio X”, por Dom Donald J. Sanborn, 1995, http://www.catolicosalerta.com.ar/fraternidadspx/gelboe.htm)

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

320ª Nota - O abraço fatal de João Paulo II em Monsenhor Lefebvre


O Abraço Fatal

Os poucos dias concedidos a Luciani correram e foi eleito o atual e aparentemente imortal Wojtyla, em outubro de 1978, como terceiro “Papa” do Vaticano II. Monsenhor Lefebvre quis ver o novo “Papa”. O encontro teve lugar pouco tempo depois da eleição de Wojtyla. No curso desta conversação histórica, Wojtyla declara a Mons. Lefebvre que podia continuar tudo “aceitando o Concílio Vaticano II à luz da tradição”; fórmula que Monsenhor utilizou sempre em sua tentativa de coexistência com o Novus Ordo. Isto significava, para Monsenhor, avaliar o Concílio para reter somente o que era católico; para Wojtyla, ter outra cor no espectro das ideias. Para Monsenhor Lefebvre era a renovação das esperanças, alimentadas durante o pontificado de Paulo VI, de receber a aprovação da parte do Novus Ordo; para Wojtyla, era o meio de reintegrar os tradicionalistas na “High Church”. Para Mons. Lefebvre, era a esperança de obter uma capela lateral tradicionalista no interior da catedral modernista; igualmente para Wojtyla. Reunindo esta esperança de reconciliação, Wojtyla deu a Monsenhor um abraço fatal. A guerra terminou.

(Excerto de “A Montanha de Gilboa – O caso da Fraternidade São Pio X”, por Dom Donald J. Sanborn, 1995, http://www.catolicosalerta.com.ar/fraternidadspx/gelboe.html)

terça-feira, 15 de agosto de 2017

319ª Nota - A Igreja no fim dos tempos


“As igrejas se lamentarão com grande lamentação, porque não se oferecerá mais oblação, nem incenso, nem adoração aceitável a Deus. Os edifícios sagrados das igrejas serão como choças; e o precioso Corpo e Sangue de Cristo não se manifestarão naqueles dias; a liturgia se extinguirá; cessará o canto dos salmos; a leitura da Sagrada Escritura já não será escutada. Porém haverá trevas sobre os homens, lamentação sobre lamentação, aflição sobre aflição. Então, a Igreja será dispersa, lançada no deserto, e será por um tempo, como era no princípio, invisível, escondida nas catacumbas, nas covas, nas montanhas, nos lugares escondidos. Por um tempo será varrida, por assim dizer, da face da Terra. Tal é o testemunho universal dos Padres dos primeiros séculos.

Cardeal Manning

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

318ª Nota - João XXIII, o Mau


Yves Congar, O.P. “A Igreja Católica entrou em um processo de reforma interna nunca antes visto em toda a história. Eu nunca soube de uma maneira precisa o que João XXIII queria dar a entender com a palavra AGGIORNAMENTO, vocábulo utilizado universalmente na atualidade”. E “João XXIII soube criar, em poucas semanas, um clima eclesial novo. A mais ampla abertura jamais vista DE CIMA. De um só golpe, as forças renovadoras, que podiam tão somente se manifestar, agora podem difundir livremente suas atividades”.


João XXIII: “Não vejo razão alguma para que um cristão não possa votar num marxista se julgar que este é mais apto para seguir uma determinada linha política e destino histórico”