quarta-feira, 23 de novembro de 2016

270ª Nota - Dom Marcel Lefebvre: A Igreja Conciliar não é a Igreja de Cristo


“Eu vos pergunto: onde estão os verdadeiros sinais da Igreja? Estão eles na Igreja oficial (não se trata de Igreja visível, mas da Igreja oficial) ou conosco, no que representamos, no que somos? É evidente que somos nós que guardamos a unidade da fé, que desapareceu da Igreja oficial. Um Bispo acredita nisso, outro já não acredita, a fé é diversa, seus catecismos abomináveis estão cheios de heresias. Onde está a unidade da fé em Roma?

Onde está a unidade da fé no mundo? Fomos nós que a guardamos. A unidade da fé espalhada no mundo inteiro é a catolicidade. Ora, esta unidade da fé no mundo inteiro, não existe mais, não existe mais catolicidade. Existem tantas Igrejas católicas quantos Bispos e Dioceses. Cada um possui sua maneira de ver, de pensar, de pregar, de fazer seu catecismo. Não existe mais catolicidade.

E a Apostolicidade? Eles romperam com o passado. Se eles fizeram algo, foi exatamente isso. Eles não desejam mais o que é anterior ao Concílio Vaticano II. Vede o Motu Proprio do Papa que nos condena, ele diz muito bem: “a Tradição viva é o Vaticano II”: não se deve reportar mais a fatos anteriores ao Vaticano II, isso não significa nada. A Igreja guarda a Tradição de século em século. O que passou passou, desapareceu. Toda a Tradição encontra-se na Igreja de hoje. Qual é esta Tradição? A que ela se liga? Como ela se liga ao passado?

É o que lhes permite dizer o contrário do que foi dito outrora, sempre pretendendo que somente eles guardaram a Tradição. É o que nos pede o Papa: que nos submetamos à Tradição viva. Nós possuiríamos um conceito equivocado de Tradição, visto que ela é viva e evolutiva. Mas, isto é o erro modernista: o Santo Papa Pio X, na encíclica Pascendi, condenou estes termos: “Tradição viva, Igreja viva, fé viva”, etc, no sentido que os modernistas os entendem, ou seja, da evolução que depende das circunstâncias históricas. A verdade da Revelação, a explicação da Revelação, dependeria das circunstâncias históricas.

A Apostolicidade: nós nos vinculamos aos Apóstolos pela autoridade. Meu sacerdócio vem através dos Apóstolos; vosso sacerdócio vem através dos Apóstolos. Nós somos filhos daqueles que nos deram o episcopado. Nosso episcopado descende do Santo Papa Pio V e através dele chegamos até aos Apóstolos. Quanto à Apostolicidade da fé, nós cremos na mesma fé que foi a dos Apóstolos. Nós não mudamos nada e nem queremos mudar nada.

E, enfim, a santidade. Não nos faremos louvores e cumprimentos. Se não quisermos considerar a nós mesmos, consideremos os outros, e consideremos os frutos de nosso apostolado, os frutos vocacionais, de nossas religiosas e também dentro das famílias cristãs. Boas e santas famílias cristãs germinam, graças a vosso apostolado. É um fato, ninguém o pode negar.

Tudo isso mostra que somos nós que possuímos os sinais da Igreja visível. Se ainda existe uma visibilidade da Igreja hoje em dia, é graças a vós. Estes sinais, não se encontram mais nos outros. Não existe mais neles unidade da fé; ora, é precisamente a fé que é a base de toda a visibilidade da Igreja.

A catolicidade é a fé no espaço. A Apostolicidade é a fé no tempo, e a santidade é o fruto da fé, que se concretiza nas almas pela graça do bom Deus, pela graça dos sacramentos”.
( DOM MARCEL LEFEBVRE)

Agora, se esta declaração fosse dita por um bispo assumidamente sedevacantista, que valor dariam a ela os semitradicionalistas?...

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

269ª Nota - Diálogo Ascético


Disse o irmão:
– Bem o disseste, pai, e agora te suplico que também me digas como a continência extingue a concupiscência. 
Respondeu-lhe o ancião:
– Porque faz com que nos abstenhamos de todas aquelas coisas que não satisfazem uma necessidade, senão que somente produzem prazer; e faz com que não participemos de nenhuma outra coisa senão as necessárias para viver; e faz buscar não as coisas agradáveis, mas as necessárias; mede a comida e a bebida de acordo com a necessidade, e não permite ao corpo uma moleza supérflua; e também só a vida do corpo, protegendo-o da perturbação do impulso carnal. É assim que a continência extingue a concupiscência. O prazer e a saciedade dos alimentos e bebidas reaquecem o ventre e acendem o impulso para o desejo vergonhoso, e impelem o animal inteiro à união ilegítima. Então se tornam impudicos os olhos, e sem freio a mão, e diz coisas a língua que afagam o ouvido, e acolhe o ouvido palavras vãs, e despreza a Deus, e comete a alma, mentalmente, o adultério, incitando o corpo à ação ilícita.  

(São Máximo, o Confessor, em Centúrias sobre a Caridade e outros Escritos Espirituais)

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

268ª Nota - Os tradicionalistas e Francisco Bergoglio


A primeira rotina dos Reconhecer & Resistir é seguir teólogos equivocados (Suarez, Caetano e João de Santo Tomás), que afirmam que um Papa herege tem que ser levado a Juízo antes de perder o cargo. Porém, este ensinamento foi posteriormente abandonado pelos teólogos, que adotaram a posição de São Roberto Belarmino (o Doutor máximo em eclesiologia, cujo ensinamento foi canonizado substancialmente por Pio XII, em sua encíclica Mystici Corporis Christi); foi rejeitado por Paulo IV em sua Bula Cum Ex Apostolatus Officio; leva a um absurdo, porque, em nossos dias, teríamos que esperar que os “cardeais” hereges julgassem um “Papa” herético.

A segunda rotina dos R&R é discutir a questão equivocada, a saber, perda do cargo por um Papa herege, quando atualmente os sedevacantistas argumentam que Bergoglio não poderia ter-se convertido em um verdadeiro Papa já no começo de seu “papado”.

Aqui estamos falando de: 1) O ensinamento dos canonistas que afirmam que um herege público está impedido pela lei divina de chegar a ser um verdadeiro Papa; 2) Os R&R confundem o pecado de heresia com o delito canônico de heresia; 3) Os R&R criaram a figura do “amigo ortodoxo”, a saber, você não pode ser herege, se não for advertido por alguém; 4) Heresia material versus heresia formal: Pio XII, em sua encíclica Mystici Corporis (1943), providencialmente fechou a última via de escape dos R&R.

Apesar de os R&R fazerem de tudo para defender a ideia de que Jorge Bergoglio é verdadeiramente o Papa da Igreja Católica, ao mesmo tempo insistem que a validez de seu papado nada significa – não tem efeito prático em nossas vidas –, para assim não pôr em perigo a saúde e a salvação das almas. Em outras palavras, Francisco poderia não ser Papa; e mais, melhor seria que não o fosse.

Por analogia, pode-se dizer que se o sedevacantista sustenta que o lobo não pode ser o pastor, precisamente porque é um lobo, a posição da “Resistência”, ao contrário, afirma que o lobo pode ser o pastor, porém, o fato de ser ou não o pastor em nada importa, ou melhor, as ovelhas têm obrigação de proteger-se do pastor. Adivinhem qual destas duas posições é a única compatível com a doutrina católica? 

São Roberto Belarmino acertou quando disse “a Igreja estaria na pior das condições, se estivesse obrigada a reconhecer o lobo, que está manifestamente à espreita, como se fosse o pastor” (em “O Romano Pontífice”, Livro II, Cap. 30). De fato, parece que a única coisa que supera os esforços gigantescos feitos pelos semitradicionalistas para defender a reclamação de Francisco ao papado, é seu incansável labor para reforçar a ideia de que este Papa supostamente válido e autêntico deve sofrer resistência, ser ignorado, contradito e neutralizado de todas as maneiras possíveis, para que seu ensinamento, suas leis disciplinares, seus “santos”, e suas normas de culto não influam nos fieis de forma alguma. Em outras palavras, ele pode e deve ser seu “Papa”, porém não se atrevem com os fatos aplicar quaisquer das doutrinas católicas sobre o papado. Ele é, como o Padre Anthony Cekada tão acertadamente o expressa há anos, um “Papa de cartão, somente para ser exibido.”
(Extraído do blogue Amor de la Verdad)

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

267ª Nota - Louis Veuillot e o Fim dos Tempos


Louis Veuillot, o ilustre católico, elogiado por Pio IX, em seu excelente livro “A Ilusão Liberal”, no capítulo XXI – “A verdade vos fará livres” (Jo. 8,32), escreve sobre os sinais da proximidade do fim dos tempos:

“Quando a Igreja não puder ensinar Jesus Cristo integralmente, quando os povos deixarem de compreender que é preciso obedecer a Deus mais que aos homens, quando já não houver vozes que se levantem para confessar a verdade sem disfarces ou restrições; então, a liberdade terá deixado a Terra. Então, a história humana estará perto do fim.”

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

266ª Nota - Louis Veuillot e o Reinado de Cristo-Rei


Sobre o reinado de Cristo Rei, observem o que disse o grande católico do século XIX, Louis Veuillot, em seu excelente livro “A Ilusão Liberal”, no capítulo XXVIII – “A Verdade se impõe ao Erro”:
“Em terceiro lugar, quando chegar o tempo, quando a provação terminar e o edifício social precisar ser reconstruído segundo as regras eternas, seja amanhã, seja daqui a séculos, os católicos organizarão as coisas como se fossem para eles. Sem se preocuparem com quem queira permanecer na morte, promulgarão as leis da vida. Elevarão Jesus Cristo ao seu devido lugar, e Ele não será mais insultado. Educarão as crianças no conhecimento de Deus e na honra aos pais. Preservarão a indissolubilidade do casamento e, ainda que os dissidentes tenham maus casamentos, seus filhos os terão bons. Imporão a observância religiosa dos domingos para o bem da sociedade como um todo, deixando que os livres-pensadores e os judeus celebrem por sua conta as segundas-feiras ou os sábados. Aqueles a quem essa lei atrapalhar, ficarão atrapalhados. Já não se poderá recusar o respeito ao Criador e ao repouso da criatura para contentar um punhado de maníacos, cuja agitação faz, de modo tão tolo e insolente, todo um povo cair no pecado. Além disso, seus lares, como também os nossos, mais sólidos, e seus campos mais fecundos. Em suma, a sociedade católica será católica, e os dissidentes que ela há de tolerar conhecerão sua caridade, mas não quebrarão sua unidade.”