João de Santo Tomás afirma: “No que diz respeito
à substância e à moral da lei que o Pontífice comumente propõe como regra de
costumes a seguir, seria herético afirmar que a Igreja pode errar de tal
maneira a permitir ou prescrever algo destrutivo, quer contra os
bons costumes, quer contra a lei natural, quer contra a lei divina”. Do mesmo
modo Santo Tomás de Aquino: “o costume da Igreja não pode errar, pois é
dirigido pelo Espírito Santo” (IIIa. q.83, art.5). Ademais, o Concílio de
Trento, Sessão XXII, Can. 7, declara: “Se alguém disser que as cerimônias, os
ornamentos e os sinais exteriores que a Igreja Católica utiliza na celebração
das missas incitam à impiedade, que seja anátema”.
segunda-feira, 18 de setembro de 2017
quarta-feira, 6 de setembro de 2017
quinta-feira, 31 de agosto de 2017
325ª Nota - Respostas aos indiferentes e utilitaristas
1ª Objeção_
Os indiferentes dizem: Deus não necessita da
homenagem das criaturas. Portanto, os cultos religiosos são vãos. Esta objeção
é formulada assim por Santo Tomás de Aquino: “Nas ofertas
feitas pelos homens, algo parece mais louvável quando oferecido aos mais necessitados.
Portanto, a religião parece a menos louvável de todas as virtudes pelas quais o
homem ajuda os outros”.
Resposta_
Santo Tomás de Aquino:
“Nas coisas oferecidas aos outros por causa de sua utilidade, a oferta é mais
louvável quando feita ao mais necessitado, porque é mais útil. Para Deus,
entretanto, nada é oferecido para sua utilidade, mas para sua glória e para
nossa utilidade”.
A objeção supõe o falso princípio
do utilitarismo, segundo o qual alguma coisa é um bem a ser feito não porque é
honesta, mas porque é algo útil. Essa redução do bem
honesto para o bem útil é a demonstração de qualquer obrigação moral que se
fundamenta não sobre uma necessidade, mas sobre um direito. A nulidade desta
objeção se constata com o bom senso. Se, de fato, ela fosse verdadeira, seria
verdadeiro também dizer: o rico não precisa da minha restituição, portanto, eu
não lhe devo restituir nada, a restituição é vã. O benfeitor não necessita da
gratidão, portanto, a gratidão é vã. Meu pai não necessita de meu respeito;
logo, nada lhe devo.
2ª Objeção_
Deus não criou tudo unicamente para sua
glória, pois isto seria egoísmo divino; mas ele nos criou para nossa
felicidade. Assim afirmam Kant, Hermes, Günther.
Resposta_
Seria egoísmo, se Deus não fosse o Bem
Supremo, mas Ele é a própria bondade. Se Ele não fizesse todas as coisas para
manifestar Sua bondade ou Sua própria glória, então, ele não teria ordenado
tudo para o Bem Supremo, mas, sim, para qualquer bem particular, o que seria
uma falha em Deus, isto é, o maior absurdo e a ruína de nossa felicidade.
3ª Objeção_
É próprio do egoísmo subordinar todas as
coisas para si mesmo, como se elas fossem servas ou coisas úteis. Deus agiria
assim, se ele tivesse feito tudo para sua glória.
Resposta_
Assim seria, se os homens não fossem
aperfeiçoados e glorificados por essa subordinação a Deus. Porém, é muito mais
glorioso para nós existir para Sua glória do que para nossa própria felicidade.
“Na medida em que veneramos e honramos a Deus, nosso espírito se torna submisso
a Ele, e nisto consiste a perfeição: toda coisa é aperfeiçoada na medida em que
está sujeita ao que é superior a ela, como o corpo é vivificado pela alma e o
ar é iluminado pelo sol”. É por isso que reza o Salmo 113: “Não a nós, Senhor,
não a nós, mas ao Vosso nome dai glória”.
(Excerto de Dever de receber a Revelação
proposta pela Igreja Católica, por dom Garrigou Lagrange, OP)
terça-feira, 22 de agosto de 2017
324ª Nota - O apostolado da FSSPX tem fundamento lógico?
Por reconhecer, faz
muito tempo, em Wojtyla a plena possessão da autoridade papal, a Fraternidade
não oferece nenhuma base lógica que justifique seu apostolado.
Quando um sacerdote
exerce este apostolado em tempos normais, não pode praticar nenhuma atividade
sacerdotal sem ser autorizado pela autoridade competente, a saber, o bispo da
diocese. É esta autorização que faz que a Missa do sacerdote e seus sacramentos
sejam católicos, ou seja, administrados por um agente da Igreja Católica
devidamente autorizado. É este defeito de autorização que faz da missa grega
ortodoxa uma missa não católica: ainda que validamente ordenado e ainda que
diga uma missa válida, o sacerdote não atua em nome da Igreja Católica
senão contra ela.
Quando o sacerdote
tradicionalista exerce sua função, quando diz a missa e administra os
sacramentos sem a permissão do bispo do lugar, deve justificar de uma maneira
ou de outra o fato de fazê-lo sem autorização. A única justificação possível
que poderia apresentar é a seguinte: “a Igreja quer que o faça”. Nenhuma
autoridade o autorizou a dizer a missa e a distribuir os sacramentos, portanto
deve ter um argumento coerente e convincente para dizer que a Igreja – Cristo
em última instância – quer que assim o faça.
Porém, se o sacerdote
tradicionalista diz que a autoridade é revestida por Wojtyla ou pelo bispo do
lugar, como pode, então, afirmar que a Igreja quer que exerça um apostolado não
autorizado? Se a autoridade de Cristo repousa no bispo do lugar, como pode
então a autoridade de Cristo querer que o sacerdote tradicionalista atue contra
o bispo do lugar? Se a autoridade de Cristo reside em Wojtyla (NB: ou em
Francisco Bergoglio), como pode Cristo desejar que um grupo de sacerdotes
exerça um apostolado em desprezo de Wojtyla? Cristo está contra Cristo?
Miremos também a outra
face da moeda. Se a autoridade de Cristo não reside em Wojtyla (NB: nem em
Bergoglio), como, então, Cristo ou a Igreja autorizaria o apostolado dos que
afirmam com insistência que o herege Wojtyla (NB: o herege Francisco) é
verdadeiramente o Papa? Como Cristo ou a Igreja pode desejar o apostolado de
sacerdotes que intentam levar os fieis ao rebanho dos falsos pastores, de
pastores heréticos, de sacerdotes que denunciam como cismáticos aqueles que não
reconhecem os falsos pastores?
Tudo isto para dizer
que não é possível separar a autoridade da Igreja da autoridade de Cristo, nem
também separar a autoridade da Igreja da Igreja mesma. É uma só e mesma coisa.
Não se pode, então, pretender representar a Igreja Católica se se atua contra
sua autoridade. Não se pode tampouco pretender representar a Igreja Católica se
se reconhece uma falsa autoridade. Onde
está Pedro, está a Igreja. Se seu apostolado não é de Pedro, seu apostolado
não é o da Igreja nem de Cristo. Reconhecer como Pedro aquele que condena seu
apostolado, significa condenar, por conseguinte, por sua própria boca, seu
próprio apostolado.
Este fato de reconhecer
a autoridade do Papa por um lado, porém “atuar por conta própria” por outro
lado, é um sinal revelador de numerosos hereges e cismáticos. Era a atitude dos
Jansenistas e Galicanos, como também dos Velhos Católicos, e foi condenada pelo
Papa Pio IX: “De que serve proclamar alto e bom som o dogma do Primado de Pedro
e de seus sucessores? De que serve o repetir a profissão de Fé na Igreja
Católica e a obediência à Sede Apostólica, se as ações desmentem as palavras?
Por outra parte, o fato de que a obediência seja reconhecida como um dever, não
faz a rebelião ainda mais imperdoável? Ademais, que a autoridade da Santa Sé
não se estenda à aprovação de medidas que se viu obrigada a tomar, ou melhor,
que seja suficiente estar em comunhão de fé com a Sede Apostólica sem agregar a
submissão da obediência; não é isto algo que não pode sustentar-se sem dano
para a Fé Católica?... Em verdade, veneráveis irmãos e muito queridos filhos,
trata-se de reconhecer a autoridade (desta Sede) também sobre vossas igrejas, e
não somente no que toca à Fé, senão igualmente no que respeita à disciplina.
Quem o negue, é herege; quem ainda reconhecendo, se recuse obstinadamente, seja
anátema” (Quae in patriarchatu,
1º/9/1876, ao clero e aos fieis do rito caldeu).
“E Nós não podemos
passar em silêncio a audácia daqueles que, não suportando a sã doutrina,
pretendem que: ‘Enquanto aos juízos e aos decretos da Sede Apostólica, cujo
objeto toca manifestamente ao bem geral da Igreja, aos seus direitos e a sua
disciplina, se pode, desde o momento que não concernem aos dogmas relativos à
Fé e aos Costumes, recusar-lhes o assentimento e a obediência, sem pecado e sem
deixar em nada de professar o catolicismo’” (Encíclica Quanta Cura, 8/12/1864).
A posição da
Fraternidade não é, portanto, uma posição católica. Que praticamente toda a
juventude da Igreja, os valentes de
Israel, tenham a cabeça cheia de princípios não católicos em seu combate
contra o modernismo, eis aqui um tremendo desastre. Isto significa que não há
nenhuma voz verdadeiramente católica de resistência ao modernismo, exceto a de
alguns sacerdotes esparzidos pelo mundo, que denunciam os modernistas como privados
da autoridade. É para a Igreja, a montanha de Gilboa.
(Excerto de “A Montanha de Gilboa – O
caso da Fraternidade São Pio X”, por Dom Donald J. Sanborn, 1995)
segunda-feira, 21 de agosto de 2017
323ª Nota - Um chamado à Fraternidade São Pio X
Vocês têm quase toda a valorosa
juventude da Igreja em suas tropas. Em seus seminários, ela é formada para
pensar que a coexistência com a hierarquia modernista é a solução para os
problemas da Igreja. Por causa disto, nasceram a missa do indulto, a
Fraternidade São Pedro e outras organizações do mesmo gênero (Nota do blogue:
IBP, Cristo Rei etc.).
Vocês continuam dialogando com os
hereges, esforçando-se por serem absorvidos por eles. Vocês denunciam como
cismáticos a todos os sacerdotes que declaram que os hereges não têm autoridade
sobre os católicos. Vocês os perseguiram, expulsaram, caluniaram, e reduziram
muitos à pobreza e miséria.
Ainda hoje, sua organização geme sob as
tensões das contradições inerentes a sua posição, e abriga, no interior de seus
muros, “liberais” e “conservadores”, que se definem em função do preço que
pagam pelo compromisso com os hereges modernistas, considerados por eles como a
verdadeira autoridade da Igreja Católica Romana.
Abandonem de uma vez por todas seu
desejo de coexistência com os hereges! Declarem guerra aos que destroem nossa
Fé! Denunciem-nos como hereges, e adotem a posição católica que considera que
não podem ter recebido de Cristo a missão de dirigir a Igreja, aqueles que
impõem à Igreja uma fé diferente! A primeira missão da Igreja Católica, antes
de tudo é a de dar testemunho da verdade. Nosso Senhor o disse: “Eu para isto
nasci e para isto vim ao mundo, para dar testemunho da Verdade”. Se o Vaticano
II não for a verdade, e vocês sabem que não o é, aquele que ensina como sendo verdadeiro
à Igreja, não pode ter recebido de Cristo a missão de ensinar a verdade.
Deixem de apoderar-se dos jovens da Igreja
que se apresentam a vocês para serem instruídos e de fazê-los os apóstolos de
uma impossível teologia que os leva a abraçar o Novus Ordo!
Deixem de ser o Gilboa da Igreja em seu
combate contra os filisteus! Sejam como Davi contra a igreja dos filisteus!
Tomem uma posição católica contra os inimigos da Igreja, uma posição clara,
reta e simples! Denunciem o inimigo como inimigo, e estejam armados não com a
diplomacia humana, mas com a fortaleza divina, e derrubem o Golias do Novus
Ordo!
Fraternitas, Fraternitas, convertere ad
Dominum Deum Nostrum.
(Excerto
de “A Montanha de Gilboa – O caso da Fraternidade São Pio X”, por Dom Donald J.
Sanborn, 1995)
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