terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

290ª Nota - A Igreja não tem como dar o mal


Uma das propriedades essenciais da Igreja Católica é a sua indefectibilidade. Isso significa, entre outras coisas, que o ensinamento dela é “imutável e permanece sempre o mesmo” (Santo Inácio de Antioquia). É impossível para ela contradizer o seu próprio ensinamento.
Além disso, outra propriedade essencial da Igreja de Cristo é a sua infalibilidade. Isso não se aplica (como alguns católicos tradicionais parecem pensar) apenas a raros pronunciamentos papais ex cathedra como aqueles que definiram a Imaculada Conceição e a Assunção. A infalibilidade também se estende às leis disciplinares universais da Igreja.
O princípio, exposto em textos clássicos de teologia dogmática como Salaverri (I:722), Zubizarreta (I:486), Herrmann (I:258), Schultes (314–7) e Abarzuza (I:447) é tipicamente explicado como segue:
A INFALIBILIDADE DA IGREJA SE ESTENDE A... leis eclesiásticas emanadas para a Igreja universal para o direcionamento do culto cristão e da vida cristã... Mas a Igreja é infalível ao emanar um decreto doutrinal como foi declarado acima — e isso a tal ponto que ela nunca pode sancionar uma lei universal que esteja em discrepância com a fé ou a moralidade, ou que seja por sua própria natureza conducente ao dano das almas... Se a Igreja viesse a cometer erro, da maneira exposta, quando legislasse para a disciplina geral, ela deixaria de ser uma guardiã fiel da doutrina revelada ou uma mestra confiável do modo de vida cristão. Não seria guardiã da doutrina revelada, pois a imposição de uma lei nociva seria, para todos os fins práticos, equivalente a uma errônea definição de doutrina; todos concluiriam naturalmente que aquilo que a Igreja havia mandado quadrava com a sã doutrina. Não seria mestra do modo de vida cristão, pois introduziria por suas leis a corrupção na prática da vida religiosa.” [Van Noort, Dogmatic Theology. 2:91.]
É impossível, então, que a Igreja dê alguma coisa má através das leis dela — incluindo as leis que regulam o culto.
O reconhecimento, por um lado, de que a hierarquia pós-Vaticano II sancionou oficialmente erros e males, e a consideração, por outro lado, das propriedades essenciais da Igreja levam-nos, assim, a uma conclusão sobre a autoridade da hierarquia pós-Vaticano II: Dadas a indefectibilidade da Igreja em seu ensinamento (o ensinamento dela não tem como mudar) e a infalibilidade da Igreja em suas leis disciplinares universais (as suas leis litúrgicas não têm como comprometer a doutrina ou prejudicar as almas), é impossível que os erros e males que elencamos possam ter procedido do que realmente seja a autoridade da Igreja.
(Fragmento extraído do blogue Acies Ordinata – Padre Cekada, em “Os Tradicionalistas, a Infalibilidade e o Papa”:
https://aciesordinata.wordpress.com/2012/10/31/textos-essenciais-em-traducao-inedita-clxx/)